eu te encaro quase
como uma contemplação.
observo-te assim, claro
não te deixo perto de mim
como um ser descuidado.
te vejo, e some de mim
a angústia do momento
em silêncio.
respiração ligada
ao olhar que faço
não minto.
sinto.
abaixa os teus olhos
pequenas miradas
brilha-te, sempre.
à cima.
15 de Março de 2009
7 de Março de 2009
e eu só quero poder
agarrar tua mão
ficar entre os sorrisos
da tua respiração
até não poder mais
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p edro
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7 de Janeiro de 2009
verve poética
telepata
sempre se multiplica
partindo meu coração
que se exponencia
numa equação que eu
jamais dividir-se-á
dia a dia.
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p edro
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19 de Novembro de 2008
teu nome
seu nome começa com E
como um grande enigma
com o qual se mostra
esse eterno sorriso
voltado à si mesma.
uma quimera
silenciosamente clara
o que atiça ainda mais
o brilho nos meus olhos
[de sol, luz,
perfumes do mar]
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p edro
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18 de Novembro de 2008
maciez
és de uma ternura imensa
e uma pele macia, só tua
és de arrepios breves
que passeiam por ti
quase inocentemente nua
e esse corpo que ontem
tinha o peso da lua
ganhou o brilho do sol
que se estampa no seu sorriso
curveando-se nos seus braços,
longas marcas, jovens pétalas
delicadas e
displicentemente mostradas
em beijos somados ao silêncio
de nos sabermos tão distantes
e tão próximos um do outro...
[noites ao acaso,
sem ocaso,
num despertar eterno
de carícias livres...]
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p edro
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16 de Novembro de 2008
sem nome
é o choque de estarmos juntos
depois de tanto tempo
que faz tudo parecer tão natural
é o brilho nos seus olhos
e o desejo da tua boca à minha
que nos fazem parecer tão surreais
o calor que te aquece
o pensamento que permanece
lançado sempre à você
e toda essa vontade
revelada (por séculos escondida)
que me fazem não ter pressa
- de nada...
não anseio ter somente a tua pele,
somente a tua boca,
teu seio crispado fervente em desejo
na lascívia de uma vênus desvairada
não desejo só teus beijos loucos,
tua língua de uma sede insaciável
e seus arrepios tépidos em choque à
nossa pele quente,
nao desejo teu toque macio, tua pele
que pulsa,
teu corpo que se entrelaça
e me amassa
junto de ti...
língua, pele, boca, carícia -
és muito maior que um simples desejo,
és muito mais permitido que apenas um beijo
és por demais delicada pra ser só tocada
és tudo. e à frente disso, fico mudo.
[noites ao acaso,
sem ocaso,
num despertar eterno...]
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p edro
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Sinestesia
pele caricia saliva toque
toque saliva carícia vício
vicio carícia saliva beijo
beijo saliva carícia boca
boca carícia saliva cheiro
cheiro saliva pele sinto.
[noites ao acaso,
sem ocaso]
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p edro
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18 de Outubro de 2008
meu ar acabou,
só o aperto no peito
me faz ver quem eu sou...
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p edro
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27 de Setembro de 2008
divagações
eu via a sombra que a vida fazia dentro de mim
e não fazia nada, e nem me forçava
eu via o frio que a escuridão mostrava
tão claramente, em partes indizíveis..
eu me via perdendo dia após dia
e não fazia nada...
eu queria evitar a derrota a perder,
eu não queria nada!
eu vi meu corpo perder a batalha
como um monte de areia
eu tive medo do mar, e quis
evitar o seu sabor sem querer acreditar
minha pintura de derrota
está cada vez mais fraca.
e eu deixei de não fazer mais nada...
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p edro
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21 de Setembro de 2008
sem fim
Guarde esse sorriso
leve-o com você,
deixa que minha vida
tenha sempre esse brilho
que me agrada ao te ver
Tudo que não quero
que percas é o que te faz
assim, única rosa
que me cativa entre outras
milhares...
Já nem sei porquê
tanto encanto se entorna
em mim, só sei que meu
sentimento de carinho
mora no silêncio
do infinito . . .
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p edro
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16 de Setembro de 2008
aCerca
A luz das estrelas
que brilham na noite
são os partículas refletidas
no sol da manhã
que mais seriam, se não isso?
a luz e o calor da vida
como obra de arte no mar.
Os brilhos da cidade escondem
a fulgurante noite e
a tentativa de clarificar
a noite afugenta o brilho
da tua pele escura.
Por quê o homem
forja a luz
para esconder seu brilho?
em que noite ficou perdida
a tua verdade?
a luz
não
sabe.
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p edro
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31 de Julho de 2008
Gelo num copo de whisky
Apenas deixarei o desejo morrer
pra depois dormir,
pra depois sumir
como o gelo num copo de whisky.
Fingir que não é comigo
pra depois sumir
pra depois cair
como vida num abismo
vou fingir esquecer
e depois morrer
num fingimento
Vou me entristecer
e então, fenecer,
eis mais um tormento...
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18 de Julho de 2008
se(m)-[ti]do
Só de tocar minha mão a tua pele
Sei que tenho a ti ao que te toco
Sei que vejo a mim quando eu te olho
Sei que amor existe - sinto, cheiro,
Escorre à pele e seu desejo escutas
Olhos abertos em desejo – toque
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9 de Julho de 2008
pero
janelas e portas que não dizem o que deveriam dizer
não sei o que faço o tempo que passa num sentido se vai
salvando sua vida de um desespero sem espera
quem há de dizer que na vida não há algo mais?
algo mais:
não quero sair somente vivo daqui
não quero ter somente a vida como recompensa
não quero vida esperada
não quero trabalho por nada
não quero fechar meus olhos pra um mundo cego
quero algo mais do que a vida espera de mim
do que espero da vida
.
sem mas.
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p edro
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23 de Maio de 2008
mori
e o ar que ali pairava
pesou quando sua alma
por ali saiu
quando do corpo,
infecundo, partiu daqui
e de sua alma tão
sentida nessa terra
insensível, foi guardar
o mundo no seu peito
que paira numa dimensão
qualquer...
(13.01)
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p edro
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