passam na caixa cinza
sangue por dentro do ferro
caixa fechada
coberta de lágrimas [lacrada com lágrimas]
choram crianças sem saber
- pais e mães mortos -
que é que se vai dizer?
conviva-se, então, com as tragédias
televisionadas
as mães enquadradas com suas dores
escancaradas
arrancam-se filhos num dia,
e os pais se vão no outro...
até quando chorá-lo-emos
até quando?
quantos pais e mães sofrerão?
quantas crianças - sem eles -
ainda hão de haver?
quantos lutos, quantos hélios,
quantas rosas, quantas mortes,
quantos adeuses ainda veremos,
meu Deus?
me resta, como disse o poeta
a esperança de que meus
dessemelhantes possam
- um dia, se espera... -
aprender.
e resgatar aquele
sentimento que foi
perdido
do lado de lá...
1 de abril de 2007
29 de março de 2007
distrações
Silêncio no mundo cheio
Silêncio no meu mundo - alheio
a esse que todos vivem -
Penso e minha mente voa
espio todos do ar
respiro e daqui o ar voa
livre de seus medos
acaricia seus dedos
olha pro horizonte...
vivo de distrações loucas
até que a mente se encheia
pisa no mar e voa...
"levante, menino, olha pro alto!"
Silêncio no meu mundo - alheio
a esse que todos vivem -
Penso e minha mente voa
espio todos do ar
respiro e daqui o ar voa
livre de seus medos
acaricia seus dedos
olha pro horizonte...
vivo de distrações loucas
até que a mente se encheia
pisa no mar e voa...
"levante, menino, olha pro alto!"
22 de março de 2007
Perfuma-me
Jogam-se pensamentos no ar
Voltam-se devaneios pra ti
Pensa, fala, sentem por ti
Pegam seu perfume no ar
Jogam-lhe de lá
Pra que eu sinta de cá
da minha janela
Jorram-se as margaridas
pensa-se em flores
pétalas e fragmentos de
tulipas, flores de cerejeira e
almíscares
tu és linda, lias pra ti
meus versos e meus devaneios
de um amor perfumado
com sabor de felicidade
de uma poesia tamanha
que não vai caber
nem no infinito da eternidade...
Voltam-se devaneios pra ti
Pensa, fala, sentem por ti
Pegam seu perfume no ar
Jogam-lhe de lá
Pra que eu sinta de cá
da minha janela
Jorram-se as margaridas
pensa-se em flores
pétalas e fragmentos de
tulipas, flores de cerejeira e
almíscares
tu és linda, lias pra ti
meus versos e meus devaneios
de um amor perfumado
com sabor de felicidade
de uma poesia tamanha
que não vai caber
nem no infinito da eternidade...
13 de março de 2007
metalingüistica
Hoje é dia de dor no peito
sinto, e meio sem jeito pressinto:
- Vai nascer uma poesia.
Hoje há um incômodo tão grande
uma angústia, diria
Meu coração está pequeno
entre esses gigantes
- Está para nascer uma poesia.
Vem com o vento, a brisa, o ar
o céu azul-cinza
o monte de ondas no mar
Está nas flores que cortejam a praia
na amarelice melancólica dos jardins
e assim está.
De mim, pede nada mais que o momento
p'ra que possa libertar-se
pede-me:
"faça com que eu surja!"
"Torne-me parte do mundo!"
sinto, e meio sem jeito pressinto:
- Vai nascer uma poesia.
Hoje há um incômodo tão grande
uma angústia, diria
Meu coração está pequeno
entre esses gigantes
- Está para nascer uma poesia.
Vem com o vento, a brisa, o ar
o céu azul-cinza
o monte de ondas no mar
Está nas flores que cortejam a praia
na amarelice melancólica dos jardins
e assim está.
De mim, pede nada mais que o momento
p'ra que possa libertar-se
pede-me:
"faça com que eu surja!"
"Torne-me parte do mundo!"
[bote-me-
[pra-fora-]
[pra-fora-]
[germine-me!!]
Como o amor, a vida
a alegria, a canção
Como o amor, a vida
a alegria, a canção
a dor
Liberte-me! [Purifique-se]
Torne-se.
Torne-se.
[Liberte-se]
Vá,
e viva por ti
Poesia.
e viva por ti
Poesia.
7 de março de 2007
"If i could start again
A million miles away
I would keep myself
I would find a way"
agulhas nas mãos
sentimentos corróem
será que ainda sinto
o que um dia fui?
vês, que será
que me transformei?
larguei a vida,
esqueci de mim,
dos planos, das idéias
dos fatos, dos sonhos
p'ra me machucar hoje
p'ra me render
[sim!] a falta do amor
(de mim mesmo)
a falta de piedade [à mim]
ao esquecer
de tudo que me compõe
a vida me fez esquecer
e tudo pode ser seu
pois a certeza que me resta
é que deixar-te-ei triste
com minhas chagas repartidas...
*Recomendo a leitura ouvindo Johnny Cash - Hurt.
6 de março de 2007
uma explosão interna
acabou de começar
no que há de mais
eu-em-mim
Será que é o inebriante
perfume das periandras
dos serafins?
será que alguém mais
escuta isso?
Ou será, como tudo,
mais um devaneio?
pelos sem-fins do
pensamento que a
mim se desprende
explosões inquietas,
mentes tentando o alerta
por portas que nunca
se pensaram abertas
por entre as pequenas
pétalas que tu hás de ter
deixa-te que tu transpareça
voa, vai, deixa existir,
nunca feneça...
acabou de começar
no que há de mais
eu-em-mim
Será que é o inebriante
perfume das periandras
dos serafins?
será que alguém mais
escuta isso?
Ou será, como tudo,
mais um devaneio?
pelos sem-fins do
pensamento que a
mim se desprende
explosões inquietas,
mentes tentando o alerta
por portas que nunca
se pensaram abertas
por entre as pequenas
pétalas que tu hás de ter
deixa-te que tu transpareça
voa, vai, deixa existir,
nunca feneça...
4 de março de 2007
à tristeza de marcela
Marcela, menina bela
a gravidade da vida
te viu nascer
carrega em ti algo de sonhar
algo de amar
com uma tristeza que é de ti
assim tão particular
talvez nos olhos ela traga
a angústia - e a esperança -
e no coração a certeza:
há que se ter nessa vida
menos melancolia e
mais pureza
esconda dentro de ti as lágrimas
encha sua alma e voe
esqueça que a vida é grave e viva
esperança, menina, nunca perca-a...
a gravidade da vida
te viu nascer
carrega em ti algo de sonhar
algo de amar
com uma tristeza que é de ti
assim tão particular
talvez nos olhos ela traga
a angústia - e a esperança -
e no coração a certeza:
há que se ter nessa vida
menos melancolia e
mais pureza
esconda dentro de ti as lágrimas
encha sua alma e voe
esqueça que a vida é grave e viva
esperança, menina, nunca perca-a...
28 de fevereiro de 2007
de quando se anda
enquanto a mente
vaga pelo espaço
pés com qualquer coisa
pisam no asfalto
jogam lama pra cima
lamúrias pra baixo
mentes atuam
na surdina
gritos, ecos, brados
senhores austeros
e seus pés descalços
velhas e seus buços
imensuráveis
à praguejar ao infinito
das calçadas, das vielas
e dos becos
as ruas trazem
marcas efêmeras
de sapatos passageiros
e de mim, tenho como par
meu suor, a lama e o ar.
vaga pelo espaço
pés com qualquer coisa
pisam no asfalto
jogam lama pra cima
lamúrias pra baixo
mentes atuam
na surdina
gritos, ecos, brados
senhores austeros
e seus pés descalços
velhas e seus buços
imensuráveis
à praguejar ao infinito
das calçadas, das vielas
e dos becos
as ruas trazem
marcas efêmeras
de sapatos passageiros
e de mim, tenho como par
meu suor, a lama e o ar.
24 de fevereiro de 2007
torrencial
chove lá fora
e as lagrimas se escorrem
nas janelas
da alma e da rua
o tempo limpa e renova
a chuva cai com as lágrimas
de um deus acima
que junto com o homem (impuro)
chora
refresque seu corpo e sua alma
água
chore chuva chove chora
molha
apenas deixe-se [desapareça]
leve-se p'ra longe daqui
esqueça-se por [perca-se por]
um milésimo
conheça-se.
a ti e a chuva.
(22.02.2006)
e as lagrimas se escorrem
nas janelas
da alma e da rua
o tempo limpa e renova
a chuva cai com as lágrimas
de um deus acima
que junto com o homem (impuro)
chora
refresque seu corpo e sua alma
água
chore chuva chove chora
molha
apenas deixe-se [desapareça]
leve-se p'ra longe daqui
esqueça-se por [perca-se por]
um milésimo
conheça-se.
a ti e a chuva.
(22.02.2006)
18 de fevereiro de 2007
do carnaval
no mangue daquela carne
o homem encontra o charque
agarra e vem com fome
sacia-corre-pega e some.
pega-some
saciafome-some
some o amor some a dor
no segundo grudado
no calor, no calor.
e pulam-se, gritam-se, riam-se
e beijam-se denovo
e saciam-se
enchem suas bocas vazias
com outras cheias de nada
"eles apenas vivem o momento,
camarada."
peguem mais, peguem mais
essa energia contagia,
escondam-se na efeméride
a que chamam,
por seis dias,
de reino da alegria.
o homem encontra o charque
agarra e vem com fome
sacia-corre-pega e some.
pega-some
saciafome-some
some o amor some a dor
no segundo grudado
no calor, no calor.
e pulam-se, gritam-se, riam-se
e beijam-se denovo
e saciam-se
enchem suas bocas vazias
com outras cheias de nada
"eles apenas vivem o momento,
camarada."
peguem mais, peguem mais
essa energia contagia,
escondam-se na efeméride
a que chamam,
por seis dias,
de reino da alegria.
Hai-kais
do topo de si mesmo
topa com ele
vi você a esmo.
-
marca prata-brilhante
enfeita os dedos vermelhos
da mão voluptuosa da amante
-
queima uma linha de verso
finge que vê o mundo
estás é com o universo
-
ser sujo imundo
prezam ruas limpas
mundo, vasto mundo.
-
opções de postagem?
devo eu dizer-lhes
falta-me a pastagem.
-
topa com ele
vi você a esmo.
-
marca prata-brilhante
enfeita os dedos vermelhos
da mão voluptuosa da amante
-
queima uma linha de verso
finge que vê o mundo
estás é com o universo
-
ser sujo imundo
prezam ruas limpas
mundo, vasto mundo.
-
opções de postagem?
devo eu dizer-lhes
falta-me a pastagem.
-
11 de fevereiro de 2007
sete quilômetros
das lágrimas da mãe
correm os sonhos
de uma vida-à-acontecer
de um futuro-à-acontecer
de um riso não dado
de um batalhar inexistente
de um dente mole
da primeira namorada
das discussões nunca feitas
dos segredos partilhados
com quem nunca saberá disso
a vida, que nos é dada simplesmente
e perdida assim, violentada, ah sim!
de um menino que sentado no carro
era um inocente sonhador.
verta suas lágrimas hoje, ó mãe!
pois o que te posso oferecer é silêncio.
silêncio e rosas.
(escrito agora,por mim, as 2.09pm)
correm os sonhos
de uma vida-à-acontecer
de um futuro-à-acontecer
de um riso não dado
de um batalhar inexistente
de um dente mole
da primeira namorada
das discussões nunca feitas
dos segredos partilhados
com quem nunca saberá disso
a vida, que nos é dada simplesmente
e perdida assim, violentada, ah sim!
de um menino que sentado no carro
era um inocente sonhador.
verta suas lágrimas hoje, ó mãe!
pois o que te posso oferecer é silêncio.
silêncio e rosas.
(escrito agora,por mim, as 2.09pm)
6 de fevereiro de 2007
30 de janeiro de 2007
horas perdidas
enquanto o menino chora
eis que a amada bate
pare! pare! - e implora
a custo de que
uma dor como essa?
se nem ao menos
sabe ele se há algo
que lhe interessa?
"reparto a dor com o silêncio"
faço do nada
o meu maior espectador.
eis que a amada bate
pare! pare! - e implora
a custo de que
uma dor como essa?
se nem ao menos
sabe ele se há algo
que lhe interessa?
"reparto a dor com o silêncio"
faço do nada
o meu maior espectador.
10 de janeiro de 2007
o ano é novo
é bom escrever pro ano que chega
menino pequeno que já vem com uma pequena carga de veneno
e de bálsamo, também...
(tão escasso hoje)
já nasceu com uma lágrima e com um rompante de risos
(uma lágrima? várias)
já nasceu clamando o pão e dando circo
dando a água e afastando o cálice
celebrando a vida e lamentando a morte
chorando lágrimas de sal
admirando sorrisos doces
com o suor da testa dos humildes, o calo no pé dos que espremem suas almas
dos que espremem suas almas nessa caverna a céu aberto
com a mão molhada dos oportunistas, o pé no pescoço dos ganânciosos
nasceu tentando não morrer no meio do caminho.
menino pequeno que já vem com uma pequena carga de veneno
e de bálsamo, também...
(tão escasso hoje)
já nasceu com uma lágrima e com um rompante de risos
(uma lágrima? várias)
já nasceu clamando o pão e dando circo
dando a água e afastando o cálice
celebrando a vida e lamentando a morte
chorando lágrimas de sal
admirando sorrisos doces
com o suor da testa dos humildes, o calo no pé dos que espremem suas almas
dos que espremem suas almas nessa caverna a céu aberto
com a mão molhada dos oportunistas, o pé no pescoço dos ganânciosos
nasceu tentando não morrer no meio do caminho.
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