6 de fevereiro de 2008

cinzas de quarta

e é o fim do carnaval
e as almas postas em grupo
agora abandonam o altar
provisório do excesso em
que suas almas detiveram-se
durante 6 infinitos dias.
e suas almas carnavalescas
cantarão até o fim dos seus
dias a ode ao demasiado: a paixão
, o suor, a volúpia, o mel
entorpecido que lhes embeberam
e toda essa explosão de almas
permanecerá viva em seus corpos
até que um dia os seis dias infinitos

volte(m)...

25 de janeiro de 2008

passaram o vovô pra trás
beberam a cachaça que
não vem do ribeirão

cantaram quem não
está na passarela
não giraram a manivela

não cantaram a canção
que eu fiz pra ela
passei correndo e nem
vi o coração dela

mas o importante é que se
repete quase sempre

23 de janeiro de 2008

18 de janeiro de 2008

um i verso

Roda é liberdade
infinita frente
verso que a vida
transversa lucida
teima em ser do um-e-verso

um e verso
dois e mundo
um e mundo
dois e verso
universo
desmudos
um imundo
dois inversos
sujo em mundo
dor e verso
surge o mundo
doce verso
um inverso
deste o mundo
muda o mundo
mundo - o verso.

13 de janeiro de 2008

da pequena dor dos desiludidos de amor

e dessa chuva apoucada
acompanhando o pranto
fez-se o homem sozinho
sem riso sem cor
sem chuva sem nada
dando o tom da sua
vida acizentada
viva e versos multicores
silenciados, apequenados...

...

nós não controlamos
a infinitude,
a infinitude
dos laços da vida

e ficamos humanos,
exaustos
esperando que só
no céu brilhe outra
luz...

(12/2007)

7 de janeiro de 2008

Ressucinascendo

Ando estranhando o andar da vida
que de vez em quando me desfaço dela
assim, alguns minutos deixo-a, quieta,
mansa, e me mudo pr'um mundo
irreconhecível a mim mesmo.
nesses momentos resguardo-me.
não findo, apenas aquieto-a. como se
guarda um livro velho que perdeu
seu uso.

Como se, de repente, observássemos
a vida como espectadores, oniscientes
como se o corpo fizesse uma viagem
desprendida do invólucro material,
efêmero, temporal, e trangredisse
a linha tênue de separação da
sua força interna.

Desmaterialize-se em silêncio. Viva.
Ressucinascendo.

3 de janeiro de 2008

poemeu p'ra Ela

risco o céu com a
ponta de um giz numa nuvem...

foi teu nome em poesia que eu fiz

pra te acompanhar,
e ao olhar pra

cima, o teu sorriso
[tenho certo]
perfumará
a
r i m a
o
m
a

1 de janeiro de 2008

your face is a mess

o ano passou e nenhuma estrela no céu apareceu
o ano começa e a lua continua a mesma
provavelmente as dores estarão no mesmo
lugar, e os amores continuarão batendo no
peito com a mesma força. E que escolha temos?
essa é a força da vida, o ano passa, a boca bebe,
saliva lascívia, desejo, medo, desdém, ódio,
os olhos continuam vendo a mesma dor,
o mesmo cinismo e talvez a mesma sinceridade
do sorriso escondido por cima das estrelas
e nós viveremos nossa vida de gente mais
trezentos e sessenta e cinco dias.

26 de dezembro de 2007

dos aromas na janela

de repente da janela
em frente ao mar imenso,
e o vento da noite
me veio o cheiro de rio,
cheiro de planta na terra
que passa nas suas entranhas

e eu não sei de onde vem.
nem quando partirás.

Saudade de um interior.

22 de dezembro de 2007

Himell

e o céu pôs-se de lado,
quando a vida à fora te chamou;
desvelando o passado,
guardando-o num canto, mesmo quieto.

e o seu céu fez-se ainda mais triste,
e os seus olhos cheios
d'água pesaram, penosos, em si
[e nela]

e a cada passo seu dado,
o céu claro, multicores, fez-se cinza.
e jogando com desprezo
cada cor abaixo de uma nuvem,
nublou-se, e nublado ficou.

[já era tempo de ir, e de se abrir]

e ela se foi, levando o sol e
deixando [só] a chuva...
que molha as lágrimas secadas
de quem olhar pro céu

( Autoria de Juliana e minha. Visitem-na! )

21 de dezembro de 2007

anda aí

eu vou bem por ali
e se me virem?
diga que eu ri

me mandei,
parti,
vou praí,

não me pergunta
onde eu vou
fica no silêncio do
seu caminho

não sei onde
estou longe
saí daqui.

e se [eu] me vir?
digam que eu ri.

17 de dezembro de 2007

Porque em você estão
essas coisas tão mais lindas
De onde você estiver,
serás sempre a mais querida

E por ver-te assim, sempre,
é que escrevo esses versos-elogios
pra dizer-lhe que nunca esqueça
que sua candura afasta qualquer frio:

Hoje você é
e vai ser sempre,
a que mais brilhará, e

Seu brilho, seu rosto
em riso, seu jeito,
sorriso e a candura
de ser tão assim

serão [tenho certo]
sempre assim

que bem sei:

de tudo
[que existe de inspirar em você]
há de ficar um pouco
[aqui, no peito]
em mim.

10 de dezembro de 2007

aleatório

vento sopra,
sol arde,
mar teima
mar bate
pessoas que vem e vão
pingando suor
no ardido chão

suportando a tediosa
vida, vencendo-a,
cansando-se

um perder dita
mais que um ganhar

há um preocupar-se, mais que
viver-se

há um ansioso desespero nos cercando
sufocando,

prendem, matam, calam
o que tem de melhor

param.

7 de dezembro de 2007

pedidos

nunca pedi tanto a deus
pra te por perto de mim
assim nem que
fossem cinco minutinhos
só pra me abraçar
me dar um beijo confortar e
ir embora juro tudo
que eu peço agora sem
demora é você um pouco de
você e mais você
pra eu poder me
sentir mais seguro e menos
sozinho nesse mundo
por favor faz de conta
que você tá perto de
mim e me abraça sem virgula sem
texto sem preto e branco
só colorido cheio de
vida eu e você e
mais ninguém por favor...

3 de dezembro de 2007

[cor]-r-[e][dor]

Sua melancolia veste a fantasia
faz-se alegria, mesmo que finda,

faz-se [de linda], [forja]da simpatia
instaura a folia efêmera dos
que se sabem tristes,

dos que
não estão, mas o são. Melancolicamente
o são.
e quando sua ferida aberta, [dor

de saber-se sempre farta]
de tudo [toda]
extingue-se,

transforma em
cinzas a alegria,
que já está pra nascer.[no amor]
[e que saber-se-á-------(mor)t(a-)
antes de sê-la...]