horas perdidas
enquanto o menino chora
eis que a amada bate
pare! pare! - e implora
a custo de que
uma dor como essa?
se nem ao menos
sabe ele se há algo
que lhe interessa?
"reparto a dor com o silêncio"
faço do nada
o meu maior espectador.
quebrem a linearidade.
enquanto o menino chora
eis que a amada bate
pare! pare! - e implora
a custo de que
uma dor como essa?
se nem ao menos
sabe ele se há algo
que lhe interessa?
"reparto a dor com o silêncio"
faço do nada
o meu maior espectador.
escrito por
p edro
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é bom escrever pro ano que chega
menino pequeno que já vem com uma pequena carga de veneno
e de bálsamo, também...
(tão escasso hoje)
já nasceu com uma lágrima e com um rompante de risos
(uma lágrima? várias)
já nasceu clamando o pão e dando circo
dando a água e afastando o cálice
celebrando a vida e lamentando a morte
chorando lágrimas de sal
admirando sorrisos doces
com o suor da testa dos humildes, o calo no pé dos que espremem suas almas
dos que espremem suas almas nessa caverna a céu aberto
com a mão molhada dos oportunistas, o pé no pescoço dos ganânciosos
nasceu tentando não morrer no meio do caminho.
escrito por
p edro
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Eu nem sequer sou poeta: vejo.
Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:
O valor está ali, nos meus versos.
Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade. [Alberto Caeiro]
"Seule la poésie est extralucide." [Gabriel Garcia Márquez]

